Polícia faz operação na Rocinha após domingo de terror na comunidade

Pelo menos duas pessoas foram mortas em intensos tiroteios na manhã de domingo.

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Pelo menos duas pessoas foram mortas em intensos tiroteios na manhã de domingo.

Equipes das polícias Militar e Civil fazem uma grande operação na comunidade da Rocinha, na Zona Sul do Rio, na manhã desta segunda-feira (18). A ação policial acontece um dia depois de uma guerra de traficantes ter disseminado um clima de terror entre moradores. Nas primeiras horas do trabalho, pelo menos dois homem haviam sido presos, sendo um em flagrante e outro em cumprimento de mandado, e um suspeito morto em confronto com policiais. A informação é do repórter Pedro Figueiredo, da TV Globo.

A operação é comandada pela 11ª DP (Rocinha), com o apoio de unidades especializadas da Polícia Civil. As tropas da Polícia Militar dão apoio à operação, fazendo o cerco à comunidade.

Conforme informou o Bom Dia Rio, no fim da madrugada o Túnel Zuzu Angel chegou a ficar interditado por alguns instantes para a chegada das tropas policiais à comunidade. Dezenas de policiais militares chegaram ao local em veículos blindados e até caminhões.

Mais de 4,4 mil estudantes sem aula

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, por causa da operação policial na Rocinha 4.441 alunos da rede pública municipal estão sem aulas nesta segunda-feira em unidades escolares na Rocinha, Comunidade Vila Canoas, Vidigal, Serrinha e Juramento. No total, a paralisação ocorre em oito escolas, seis creches e um Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI).

Atendimento médico comprometido

Cinco unidades de atendimento médico na Rocinha estão fechadas nesta segunda-feira. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, além da UPA, estão fechadas as duas Clínicas da Família, Centros de Atenção Psicossocial (Caps) Maria do Socorro e Centro Municipal de Saúde Dr Albert Sabin. A secretaria informou que os pacientes destes locais estão sendo transferidos para o CER-Leblon, Caps Franco Basaglia, em Botafogo, e Centro Municipal de Saúde Píndaro de Carvalho Rodrigues, na Gávea.

Falta de luz

Nesta manhã, cerca de 20% da área da Rocinha ainda permanecia com o fornecimento de energia elétrica interrompido. Segundo a Light, tiros atingiram transformadores e cabos da rede elétrica da comunidade durante os tiroteios de domingo.

Os técnicos tiveram dificuldades de entrar na favela para fazer os reparos em alguns locais em função do horário e das condições de segurança, por isso não foi possível restabelecer plenamente o serviço em toda a área. “A Light só voltará a entrar na comunidade quando tiver condições de segurança adequadas para seus técnicos”, destacou a concessionária.

Manhã de terror

No domingo, os tiroteios tiveram início por volta das 6h20. A polícia diz que cerca de 60 criminosos invadiram a comunidade numa tentativa de retomar territórios usados para a venda de drogas.

Vídeos registrados por moradores mostram o clima de terror durante a ação dos criminosos. Tiros eram disparados em diversos pontos da comunidade. Criminosos atiravam de cima das lajes das casas.

Um dos vídeos mostra um flagrante em que diversos criminosos em dois carros, um deles roubado, passam ao lado de viaturas da UPP. Os policiais teriam se abrigado para se protegerem ao perceberem a movimentação dos bandidos.

Disputa do tráfico

Segundo as investigações policiais, traficantes da favela se enfrentam numa disputa interna pelo controle da venda de drogas na região. Os ataques à Rocinha tem como principal mandante o traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, preso na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia.

Atualmente a Rocinha é dominada pelo traficante Rogério Avelino da Silva, conhecido como Rogério 157, um dos presos pela invasão ao Hotel Intercontinental, em São Conrado, em 2010, e libertado em janeiro de 2012 por uma decisão da justiça.

Os confrontos atuais se deram por um racha na aliança entre os traficantes Nem e Rogério 157. A briga começou com a morte de Ítalo de Jesus Campos, conhecido como Perninha, a mando de Rogério 157, em agosto passado. O bandido também havia sido preso em 2010 pela invasão ao hotel. Foi solto pela mesma decisão judicial que beneficiou Rogério 157 em 2012.

Fonte: G1

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