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Cidadania: Carreta Digital vira sala de aula em Mato Grosso do Sul para ensinar juventude indígena
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Os olhos estão atentos ao que o professor apresenta. Por mais que ninguém tire a mão do celular hoje em dia, conhecer o interior do aparelho é novidade para os 25 alunos da nova turma do curso de manutenção de celulares. A Carreta Digital estacionada no Instituto Mirim, em Campo Grande, abriu as portas na segunda-feira (3), para tornar a juventude indígena especialista em manutenção de celular.
Iniciativa da RCIP (Rede Brasileira de Certificação Pesquisa e Inovação), em parceria com o Ministério das Comunicações e a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), o curso tem o apoio da SEC (Secretaria de Estado da Cidadania) que tem feito a mobilização para levar a carreta até a população indígena e quilombola.


O principal objetivo da Carreta Digital é promover a inclusão digital e a capacitação profissionalizante itinerante de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.
Dividido em três dias, o curso tem carga horária de 10h/aula com emissão de certificado. Entre o conteúdo programático, os alunos aprendem especificações gerais, apresentação de ferramentas, configuração e formatação de aparelhos, troca de peças e manutenção preventiva.
Indígenas terena, Carlos Eduardo, de 15 anos, e Kauã Rodrigues, 16, ficaram sabendo da formação depois que a divulgação chegou até a aldeia Marçal de Souza. Interessados em aprender e quem sabe se descobrir em uma profissão, os amigos seguem empolgados.

“Eu imaginava, mas vindo aqui é bem diferente do que pensei. Acredito que se a gente se esforçar e se dedicar, pode até ser um trabalho depois”, comenta Carlos. O amigo completa dizendo que apesar de ter uma noção, é ali que tem aprendido mais. “As aulas estão muito interessantes, estamos aprendendo muita coisa”, diz.
Um dos mais novos do curso, Samuel Moreira, de 14 anos, também adolescente indígena terena, conta que além de serem aulas boas e didáticas, espera aprender a mexer sozinho no aparelho. “Às vezes eu quebro meu celular, e tem que ir lá no Centro arrumar, então aprendendo, pode ser que eu mesmo consiga arrumar”.
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Subsecretário de Políticas Públicas para Juventude – pasta ligada à SEC – Jessé Cruz, sustenta ser fundamental que a formação alcance todas a juventude em sua diversidade.

“Nossa parceria com eles foi no sentido de mobilizar as juventudes periféricas, quilombolas e indígenas para que a gente consiga levar para estes públicos a oportunidade de se qualificar. A juventude é uma fase que, além dos estudos, uma qualificação profissional também é valiosa”, afirma Jessé.
Coordenador regional da Carreta Digital, o professor da Faculdade de Computação da UFMS, Marcelo Turine destaca que o laboratório móvel é equipado com tecnologia de ponta, com o objetivo ser uma sala tecnológica itinerante oferecendo cursos e treinamentos em novas tecnologias para 3 mil estudantes de Campo Grande.
“É uma oportunidade para fortalecer as políticas públicas de educação e cidadania com foco na formação humana, tecnológica e social promovendo a inclusão e a capacitação profissional itinerante de estudantes em situação de vulnerabilidade social, proporcionando habilidades e oportunidades para um futuro melhor”, ressalta.
Para se inscrever, os interessados devem entrar no site da Carreta Digital e preencher o formulário clicando aqui.
A confirmação é feita por e-mail, e o limite são 30 alunos por turma. Além do curso de manutenção de celular, a Carreta Digital também oferece montagem e configuração de computadores de alto desempenho – PC gamer; robótica e montagem e configuração de computadores.
Paula Maciulevicius, da Comunicação da Cidadania
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Cidadania sem barreiras: Posto do Pátio Central vira referência nacional no atendimento a autistas
Emissão de documento parece burocracia, mas para uma pessoa com autismo e sua família, o ambiente de um posto de identificação pode ser um campo de batalha sensorial: luzes fortes, barulho, filas e o toque da biometria. No coração de Campo Grande, o Governo de MS decidiu mudar essa regra.
O posto do Pátio Central, que lidera o volume de emissões no Estado (com mais de 134 mil documentos expedidos), celebra o sucesso da sala “Posto Amigo do Autista”. O resultado? Quase 20% de todas as Carteiras de Identidade Nacional (CIN) com símbolo de TEA em Mato Grosso do Sul saíram de lá.
Inclusão que vai além da placa na porta
O projeto não foi apenas “colocar um adesivo”. Com um investimento de R$ 82 mil via Sejusp, a estrutura foi desenhada para o que realmente importa:
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Conforto Sensorial: Isolamento acústico e iluminação reduzida para evitar crises.
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Previsibilidade: Recursos táteis e ambiente controlado para que o atendimento flua sem ansiedade.
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Capacitação Humana: Servidores treinados para entender as particularidades do espectro, garantindo que a coleta da biometria seja concluída com sucesso.
O fim das remarcações
Antes da sala adaptada, era comum que atendimentos para pessoas com TEA precisassem ser remarcados ou feitos em domicílio devido ao estresse do ambiente. Hoje, essas situações tornaram-se exceção.
“A emissão de um documento representa pertencimento e acesso a direitos. Quando o Estado adapta o serviço à realidade do cidadão, ele está garantindo o exercício pleno da cidadania”, destaca a gestão da Polícia Científica.
MS na vanguarda da Identificação
Com mais de 13 mil documentos emitidos em MS com algum tipo de identificação de deficiência, o TEA lidera as solicitações. O modelo do Pátio Central prova que eficiência (500 atendimentos/dia) pode — e deve — caminhar junto com a humanização.
