POLÍTICA MS
Favoritismo gera pressão e obrigação de vencer
POLÍTICA MS
ELEIÇÕES: Uma campanha começa com um bom candidato e um bom slogan. Um deve estar atrelado ao outro. A diversidade dos meios de comunicação com o advento da internet e as poderosas redes sociais permitem hoje a exploração deste nicho eleitoral. O slogan há de combinar com o perfil e projeto do candidato.
O SLOGAN: Se os títulos de filmes e de livros marcam, influenciam o público, o slogan do candidato deve representar a estratégia da campanha e associá-lo ao estilo da futura administração no Executivo. Essa é a sinalização do que se pretende fazer e como irá realizá-lo – dando inclusive subsídios para comparações com adversários.
A PROPÓSITO: A obra ‘O Poderoso Chefão’, de Mario Puzo, com o protagonista Marlon Brando – é referência na associação do título ao enredo e personagem. Com voz pastosa, roupas a caráter e gestos lentos, Brando encarnou com fidelidade o personagem (capo mafioso). Em nossa memória ficaram gravados o título e as imagens.
DISCURSOS: Devido as restrições legais, os discursos em locais públicos deram lugar ao uso da internet pelas redes sociais. Os enfadonhos pronunciamentos de ontem estão enxutos, mais objetivos para atrair a atenção. Frases bem construídas com apelos emocionais agradam e tocam nesta época de carência afetiva. Não há como fugir disso.
O MANDATO: Gera poder, atrai admiração, massageia o ego e em muitos casos passa a fazer parte da personalidade e passagens de incontáveis figuras públicas. Impossível não lembrar do bíblico ‘Eclesiastes’ ao afirmar “tudo é vaidade”. Parafraseando Roberto Correa: “não creio em bruxas e bruxarias, mas las hay, las hay”.
REJEIÇÃO: Um fardo do qual dificilmente o candidato consegue se livrar ao longo de uma campanha. É uma espécie de estigma que está grudado à sua imagem por algum motivo aos olhos da opinião pública. Às vezes, os índices de aceitação são insuficientes para compensar os números da rejeição que provocam a derrota eleitoral.
CAUSAS de rejeição: Soberba, imodéstia, arrogância, atrevimento, afetação, desdém, empáfia, imoralidade e despreparo – entre outras. Aferindo a pontuação em pesquisas ao Executivo e Legislativo nota-se a presença de algumas destas características nos postulantes com desempenho que deixa a desejar. É questão de olhar profundo.
RESGATE: Após muitos anos tivemos comício de rua na capital, sem show artístico, com direito a ambulantes, famílias, animação, cartazes e faixas. A candidata Rose (União Brasil) ousou com o evento, que deveria ser imitado pela concorrência. Nota 10 para a operação limpeza da rua 14 após o comício. Influência cultural do vice Oshiro?
TEM JEITO? Zilu Camargo, ex-mulher de Zezé di Camargo (ela mesmo!) é candidata à vereadora (União Brasil) em São Paulo. Acrescentaria o que mesmo? Representaria as mulheres ‘mal-amadas’? Eleita, se juntaria a figura folclórica – o ajudante de palco do Ratinho – Markito – favorito para a reeleição. Apagaram a luz do final do túnel dos paulistanos.
VIRA VIRA? Vitória apertada é sofrida e mais gostosa. É como o gol no final do jogo de decisão. É cedo para cravar quem ganha na capital, mas o fator psicológico da vantagem – ainda que efêmera – influencia na campanha, na militância e nos eleitores indecisos. Rose manterá o ritmo? Beto, Adriane e Camila darão a volta por cima?
PESQUISAS: Cada candidato com seu olhar sobre os números, rejeição e outros dados captados para analise despida do emocional. É comparável ao técnico do time que está perdendo o jogo e durante o intervalo no vestiário motiva os atletas com nova postura para a etapa final. O ‘jogo’ apenas começou, mas os dias de campanha são poucos.
O CARA: Com André Puccinelli de fora, Reinaldo Azambuja é o protagonista do jogo sucessório. Todos os lances passam por ele, assumindo a postura de líder sem medo, acreditando na vitória de seus candidatos. Ele tem a plena convicção de que está no rumo certo, mesmo sob risco da invisível ‘fobia de poder’.
SOB PRESSÃO: Pelas alianças partidárias que apoiam os candidatos a prefeito da capital, Beto Pereira é o mais beneficiado, pelo número de siglas e de postulantes à Câmara. Se o favoritismo (como no futebol) implica na obrigação de vencer, Beto corre contra o relógio e as pesquisas, para não repetir Edson Giroto em 2012.
VEJA BEM: Beto Pereira tem o apoio do PSDB, Cidadania, PSD, PL, Podemos, MDB e Republicanos e 4 minutos e 58 segundos na tevê. Mas esse fator é relativo. Em 1989 – Ulysses Guimarães (MDB) tinha 22 minutos na tevê e perdeu para Collor (PTR) com 10 minutos. De 22 candidatos, Ulysses foi o 7º. Em 2022, o capitão Contar (PRTB) perdeu a eleição no debate final com Eduardo Riedel (PSDB).
TROPEÇÕES: Imprevisíveis e refletem nas urnas. Em 1989 Leonel Brizola ia bem na campanha presidencial até discutir com uma repórter em Campo Grande e saiu desgastado do episódio. Ciro Gomes, foi infeliz ao falar sobre o papel de sua namorada Patrícia Pillar na campanha presidencial. Despencou nas pesquisas e perdeu a eleição.
HISTÓRIA: Antônio Maria Coelho – (nome de rua na capital), o primeiro governador de Mato Grosso (1889-1891) após a Proclamação da República. Participou da famosa Retomada de Corumbá. Marechal, deixou o Exército em 1894 e mudou-se para Corumbá onde faleceu no mesmo ano. É de sua autoria a bandeira do Mato Grosso.
DESAFIO: Os 730 mil evangélicos de MS e os 230 mil da capital na alça de mira do PT. A intenção é convidá-los a rever ou refletor sobre temas delicados. Mas como, por exemplo, nivelar o abismo de visão sobre as questões familiares? Uma delas é o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O PT quer ‘revogar’ os preceitos bíblicos?
NA FERIDA: Deputado Paulo Duarte (PSB) contra as sacanagens das prestadoras de serviços de internet com velocidade inferior ao contratado. Elas não lançam os dados da fatura mensal e nem especificam a média diária dos serviços para o aferimento com o envio de dados e a velocidade diária. Se ele faz seu papel na defesa do consumidor, falta o Procon agir.
VÍCIADOS: Brasileiros usam até cartão de crédito em apostas de jogos do futebol. Gastam antes mesmo de receberem o salário. Nos últimos 12 meses, perderam R$ 23,9 bilhões em apostas das’ bets’ – grana equivalente a 1,9% da massa salarial do país. É só um lado do jogo legalizado com ‘cara de inocente’ em propagandas da tevê.
DE VOLTA: Pasmem! Eduardo Cunha, José Roberto Arruda, Anthony Garotinho e Paulo Maluf serão beneficiados do Projeto de Lei que deve passar no Senado alterando os prazos de inelegibilidade pela Lei da Ficha Limpa. O mais ‘interessante’ deste PL corporativista é que sua autora é a deputada Dani Cunha, filha do ex-presidente da Câmara. E nós, pensando que estaríamos livres deles para sempre.
AS 10 CIDADES MAIS SEGURAS DO PAÍS:
1-Jaraguá do Sul – SC (2,3 assassinatos/100 mil habitantes)
2-Salto – SP (3,1 assassinatos/100 mil habitantes)
3-Várzea Paulista – SP (3,5 assassinatos/100 mil habitantes)
4-Botucatu – SP (3,5 assassinatos/100 mil habitantes)
5-Indaiatuba – SP (3,5 assassinatos/100 mil habitantes)
6-Brusque – SC (3,5 assassinatos/100 mil habitantes)
7-Araraquara – SP (3,9 assassinatos/100 mil habitantes)
8-Votorantim – SP (4,5 assassinatos/100 mil habitantes)
9-Lavras – MG (4,8 assassinatos/100 mil habitantes)
10-Poá – SP (5,1 assassinatos/100 mil habitantes)
COLUNISTA
OPOSIÇÃO ENSAIA O DISCURSO DE CAMPANHA
OPINIÃO: Como diz o ex-deputado Eduardo Cunha: “Ao fim do dia 4, teremos a exata noção do que vai rolar para a próxima campanha eleitoral, onde governadores renunciarão para serem candidatos, candidatos a eleições majoritárias definirão seu destino, listas fortes ou fracas serão formadas, possíveis novos candidatos a presidente serão definidos. Enfim, o jogo estará pronto para ser jogado”.
DIFERENÇAS: O Fundo Eleitoral é destinado aos partidos em anos eleitorais para bancar as campanhas de seus candidatos, como viagens, cabos eleitorais e material de divulgação. Já o Fundo Partidário abastece os partidos mensalmente para custear as despesas (energia, água, aluguel). É produto de mistura de verba pública e doações privadas (dotações orçamentarias da União, multas e outros recursos da Lei 9.096/95)
CERTO? A incoerência na política é vista como uma dança de ziguezagues, onde os interesses pessoais superaram os princípios éticos, tornando a memória curta e a contradição aliados habituais do político. É marcada por alianças pragmáticas entre ex-adversários, mudanças de postura ideológica para chegar ao poder, além de promessas não cumpridas.
QUESTÃO: As reivindicações salariais de parte dos servidores públicos, podem representar um novo fator no quadro sucessório? Nesta semana, quem esteve na Assembleia Legislativa pode constatar manifestações contrárias ao anunciado índice de 3,81% de aumento salarial. Entre ativos e inativos temos hoje 86 mil servidores.
É CEDO? Num ano de eleições, com novas regras e outros fatores que até poderão alterar os prognósticos iniciais, não seria prematuro admitir que o ‘fator bolso’ não pode ser desprezado. Hoje, o descontentamento já serve de munição para adversários em seus discursos no parlamento estadual. Por sua vez, o Governo é cauteloso nesta tratativa.
‘CALMA’: Para os observadores, o Governo precisa e deve olhar o Estado como um todo, sem deixar de medir o tamanho de seu lençol. A crítica – ao longo da história do Mato Grosso do Sul, não perdoou nenhum de seus governantes. Começou com Harry Amorim, sacrificado em nome dos interesses de lideranças políticas. Lembro bem.
NA LISTA: Marcelo Miranda, Pedro Pedrossian, Wilson Martins, Ramez Tebet, Zeca do PT, André Puccinelli e Reinaldo Azambuja – cada qual com seus méritos e nem por isso passaram intocáveis em matéria de críticas pelos funcionários. Em ano eleitoral, a questão financeira aflora e ganha prioridade nas falas oposicionistas. Como se diz: faz parte.
GOVERNABILIDADE: Um deputado lembrando que em 2023 o reajuste geral anual foi de 5% – em 2025 foi de 5,06%, sem romper o limite prudencial imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Esse reajuste de 3,81% terá um impacto R$353,5 milhões em 2026 – C$ 473,5 milhões em 2027 e R$490,1 milhões em 2028.
‘VOLEIBOL’: Vai ficando evidente a parceria branca entre o deputado João Catan (Novo) e os 3 integrantes do PT nas sessões da Assembleia Legislativa. Quando Catan faz observações críticas ao Governo, ganha apoio incontinenti dos colegas petistas e vice-versa. Lembra o ‘voleibol’, um jogador levanta a bola para o outro ‘cortar’.
APOSTA-1: Dando as costas para os números das pesquisas, há quem acredite nas chances de termos 2º turno nas eleições de MS. Duas expectativas: a primeira versa sobre o desempenho de João Catan como dissidente da direita; a segunda é sobre a candidatura de Fabio Trad (pelo PT), já fora dos quadros do Governo Lula.
APOSTA-2: No saguão da Assembleia Legislativa questiona-se muito sobre as chances e desempenho dos postulantes ao Senado: Contar, Nelsinho e Reinaldo. Esse último, aposta nos dividendos de sua política municipalista como governador; o segundo no fator ideológico (Bolsonarismo), e o segundo em suas ações (emendas) aos municípios.
APOSTA-3: Existe outro fator que não pode ser ignorado no resultado das urnas locais. Trata-se da influência do desempenho de Lula e de Flavio Bolsonaro devido a notória divisão de forças – direita e esquerda – no nosso eleitorado. Ainda paira dúvidas quanto ao nível de aceitação do nome de Flavio, que só o tempo poderá dizer.
ELES VEM AÍ: O ex-deputado Jerson Domingos, ex-governador Puccinelli, ex-prefeito Odilon (Aquidauana), Hélio Peluffo (ex-prefeito de Ponta Porã), Raíza Matos (ex-prefeita de Naviraí); Ângelo Guerreiro – ex-prefeito de Três Lagoas – compõem um quadro de postulantes com currículos de peso. Fica a pergunta: quem sairia da Assembleia para dar lugar à eles?
‘TROCA TROCA’: Intensa na janela partidária. Paulo Duarte sai do PSB e vai para o PSDB; Jamilson Name, Lia Nogueira e Caravina permanecem no PSDB; Marcio Fernandes deixa o MDB para ingressar no Liberal; Renato Câmara troca o MDB pelo Republicanos; Lídio Lopes: ingressará no PP, Avante ou Patriotas; Beto Pereira saindo do PSDB para presidir o Republicanos. Marcelo Miglioli, deixando a prefeitura da capital para tentar uma suplência ao Senado; Barbosinha abandona o PSD rumo ao Republicanos. O PL terá coronel David, Lucas de Lima, Paulo Corrêa, Zé Teixeira, Marcio Fernandes, Mara Caseiro, Neno Razuk.; Londres e Gerson Claro firmes no PP.
EM TEMPO: Com o advento das federações partidárias aumentou a interlocução dos partidos dos estados com as respectivas lideranças nacionais. Como ainda estamos no prazo legal (janela) tudo pode acontecer até o dia 3 de abril. Só após, poderemos ter o quadro oficial das candidaturas nesta ou aquela federação. Isso se chama política.
ALERTA: A intervenção desastrosa no leito do rio Mississipi (USA) precisa ser lembrada pelos defensores do idêntico processo no rio Paraguai para tentar ‘melhorar’ a navegação entre P. Murtinho e Corumbá. Aliás, o tema está na pauta da COP 15. Os impactos ameaçariam todo o Pantanal e as consequências ecológicas irrecuperáveis.
O RIO FEDE! Nos últimos 30 anos o Estado do Rio apresentou vários casos que envolveram seus governantes. Moreira Franco (1987/1991) foi preso suspeito de corrupção, mas foi solto; Antony Garotinho acabou preso, a exemplo de Rosinha Garotinha por atos de corrupção; Sergio Cabral foi alvo de 184 acusações, condenado a 430 anos de prisão, está solto e virou colunista; Luiz F. Pezão foi preso ainda no cargo por corrupção e hoje é prefeito de Piraí; Wilson Witzel (ex-magistrado) também foi preso por envolvimento de corrupção. Para finalizar temos Claudio Castro, declarado inelegível pelo TSE. Enfim, visto de cima o Rio continua lindo. Visto de baixo, fede.
PILULAS DIGITAIS:
“Não ficamos adultos, só ficamos bobos maiores. ” (Luiz F. Veríssimo)
A pergunta: quais ‘forças ocultas’ levaram Ratinho Jr. a desistir?
“Vamos lutar para que o caso Master chegue onde a Lava Jato foi impedida de chegar”. (Deltan Dallagnol – candidato ao Senado no Paraná)
“Na política, ninguém muda de rota sem motivo”. (na internet)
“O ódio e o fanatismo são duas doenças mentais que vêm da antiguidade e ainda nos atormentam”. (Amós Óz)
“Os socialistas são contra o lucro. Os capitalistas são apenas contra o prejuízo.” (Millôr)
“O homem é a soma de suas obsessões”. (Nelson Rodrigues)
“60% dos brasileiros não confiam no STF e nos ministros. 40% não sabem o que é o STF”.
“Tenho que preservar minha imagem” – como diz o velho palhaço traçando uma linha sobre a boca sem dentes. (Millôr)
