POLÍTICA MS
Horário eleitoral perdeu para as redes sociais
POLÍTICA MS
‘PEGA PRA CAPAR’: Com o início do horário eleitoral e os partidos tendo suas chapas definidas, presume-se que seus candidatos tenham na ponta da língua suas propostas. Dizem que as eleições não se repetem, mas é possível, mesmo com nomes diferentes, que o cenário guarde semelhanças com pleitos anteriores. Vejamos:
FADIGA-1: Naquelas eleições de 2012 o MDB de Puccinelli detinha a maioria das representações, dava as cartas, mandava de cabo a rabo no Mato Grosso do Sul. Seu candidato Giroto teve 15 partidos aliados e com 245 candidatos conhecidos e de relativo prestígio do total de 501 postulantes que concorreram à Câmara. Certo?
FADIGA-2: Apesar da pressão o então deputado Reinaldo Azambuja (PSDB) chefiou a ‘rebelião’ e foi candidato a prefeito (vice Rose) em coligação com PPS, PHS, PMN e PIN tendo 137 candidatos à Câmara. Vander Loubet (PT) saiu candidato com 43 postulantes à vereança e Marcelo Bluma (PV) viabilizou sua candidatura coligado com o PT tendo 33 candidatos.
FADIGA-3: Apesar das propostas tentadoras Alcides Bernal resistiu e confiando nas pesquisas favoráveis saiu candidato tendo como vice o pastor vereador Gilmar Olarte do PROS. Foram 28 os seus candidatos a vereança. PSOL, PSTU também concorreram, respectivamente com professor Sidney e Suel Ferranti, defendendo suas bandeiras.
COMPARAÇÕES: Cabe sim ao jornalista o exercício das possibilidades, por mais descabidas que possam parecer. O processo da fadiga pode estar ocorrendo no imaginário eleitoral campo-grandense. O PSDB estaria desgastado pelo continuísmo, o mesmo fenômeno que Reinaldo combateu no MDB em 2012. Só as siglas mudaram de posição.
CAUTELA: Os números das pesquisas podem ser um espetáculo de mera ilusão. Pode sim haver reversão com o horário eleitoral. Tudo é possível. Mas hoje, o candidato Beto Pereira (PSDB) lançado e defendido pelo ex-governador Reinaldo tem a missão de melhorar urgentemente nas pesquisas, sob pena de desanimar sua militância
TELINHA: Ao contrário de 2012, segundo os especialistas em mídia, as redes sociais tem hoje mais influência do que o próprio horário eleitoral na televisão. Para eles, a tendência é que o eleitor assista apenas aos programas eleitorais nos primeiros dias por conta da mesmice das falas. Pesquisas já comprovam essa tendência.
QUESTÕES-1: Fatos ao longo da campanha podem mudar o quadro. Aquela facada ajudou eleitoralmente o candidato Bolsonaro. Escândalos, discursos impróprios e desempenho decepcionante em debates também tem influência na opinião pública. Sempre lembro que em política vale mais a versão do fato, do que o próprio fato.
QUESTÕES-2: O pleito na capital poderia se transformar numa espécie de prévia das eleições de 2026? Fala-se desta possibilidade após o anúncio das visitas de Bolsonaro, da primeira dama Janja e do deputado Ciro Nogueira (PP). Ainda é cedo para avaliar o peso destas presenças na campanha para reforçar seus respectivos representantes.
OPINIÕES: A exemplo do futebol, nas eleições há os ‘especialistas’ que ressaltam o poder de fogo político das maquinas públicas. Claro que é possível e vai depender de um conjunto de fatos e ações. Em 2012 também havia essa expectativa – cujo resultado nos remete a tese de que na política nem sempre 2 mais 2 resulta em 4.
BETO x ROSE: Na identificação com o eleitor ele está em desvantagem. Os seus mandatos parlamentares exigiram a presença física no estado, se distanciando do dia a dia da capital. Já Rose, ativa em várias campanhas locais, tem eleitorado cativo e popularidade consolidada. Prioriza temas locais e foge do embate esquerda-direita. Navega bem desviando dos ‘rochedos’.
PREFEITA: Superou as expectativas no projeto arrojado de formar seu grupo político. Num ambiente disputado – Adriane reforçou a base política com a senadora Tereza Cristina e vereadores. Vem mostrando o resultado de sua gestão em vários setores e aposta no reconhecimento do eleitor. Vontade e garra não lhe faltam.
BOLSONARISTAS: Estariam camuflados para se definirem aqui na capital? Eles representariam na verdade qual porção da direita? A propósito, o ex-deputado Rafael Tavares é candidato à vereador pelo PL e segundo informações, em seu comitê haveria duas fotos, do ex-presidente americano Donald Trump e do presidente argentino Javier Milei.
NOVA ESTRELA? Ancorada nos 37.737 votos obtidos na capital para a Câmara, a deputada Camila Jara ganhou a parceria do deputado Zeca do PT. Seu desempenho nas pesquisas mostra que ela está no caminho certo, atraindo o eleitor jovem ao grupo do eleitor tradicional do partido. Ela tem o apoio pessoal da primeira dama Janja.
FATOR ANDRÉ Nos bastidores questiona-se os reais motivos que teriam levado o ex-governador André a desistir de concorrer. Há uma gama de suposições, inclusive de eventuais acordos pós eleições. Dependendo do resultado das urnas e do desempenho dos candidatos à vereança pelo MDB, André ficaria desmotivado para o pleito de 2026.
QUAL DIREITA? Até aqui pelo menos o candidato Beto Figueiró (Novo) não correspondeu ao personagem que se auto intitula verdadeiro representante da direita. De discurso mediano, sem intimidade com algumas questões políticas, não tem convencido ao segmento que poderia em tese convencer. Sem encantar – pode derreter.
‘BOMBAS’: Ao longo das campanhas sempre correm rumores de que uma verdadeira surpresa estaria sendo sigilosamente preparada para atingira concorrência na capital e em Dourados. Já ouvi inclusive alguns buchichos neste sentido. Vale a pena lembrar que essas armadilhas podem ter efeito contrário prejudicando os próprios idealizadores.
PESQUISAS: Daqui em diante teremos uma infinidade delas encomendadas pelos interessados. A propósito “acho o máximo” aquelas efetuadas por telefone. Dependendo do desempenho dos candidatos, a tendência é que neste mês de setembro tenhamos uma pesquisa por semana, a fim de que os candidatos possam ter uma noção real do quadro.
MARCELO BLUMA: Candidato a vereança, diz que o combate aos incêndios no Pantanal está em boas mãos. Como integrante do Partido Verde atua em outra área (urbana), defendendo a Lei de Zoneamento na capital, para que os bairros residenciais não sejam invadidos pelas construtoras, sofrendo impactos ambientais irreversíveis. Neste ponto concordo com ele. As construtoras, não estão nem aí!
DROPS ELEITORAIS:
Quando é que iremos votar pelo celular?
Candidato a vereador prioriza sua própria eleição.
O Brasil vai às urnas em outubro com 35 partidos. Isso não é democracia, mas uma colcha de retalhos.
A urna eletrônica decidirá quem tem mais poder de ilusão: as redes sociais ou a TV
Bolsonarismo não existe: é essencialmente antipetismo conservador (Elio Gaspari)
Pergunta da semana: para quantos candidatos o eleitor promete seu voto?
Receita para ‘chegar lá: pisar em ovos, engolir sapos e cantar de galo.
Pablo Marçal banca ser “um idiota” para atrair eleitores…idiotas. (Mario Sabino)
COLUNISTA
OPOSIÇÃO ENSAIA O DISCURSO DE CAMPANHA
OPINIÃO: Como diz o ex-deputado Eduardo Cunha: “Ao fim do dia 4, teremos a exata noção do que vai rolar para a próxima campanha eleitoral, onde governadores renunciarão para serem candidatos, candidatos a eleições majoritárias definirão seu destino, listas fortes ou fracas serão formadas, possíveis novos candidatos a presidente serão definidos. Enfim, o jogo estará pronto para ser jogado”.
DIFERENÇAS: O Fundo Eleitoral é destinado aos partidos em anos eleitorais para bancar as campanhas de seus candidatos, como viagens, cabos eleitorais e material de divulgação. Já o Fundo Partidário abastece os partidos mensalmente para custear as despesas (energia, água, aluguel). É produto de mistura de verba pública e doações privadas (dotações orçamentarias da União, multas e outros recursos da Lei 9.096/95)
CERTO? A incoerência na política é vista como uma dança de ziguezagues, onde os interesses pessoais superaram os princípios éticos, tornando a memória curta e a contradição aliados habituais do político. É marcada por alianças pragmáticas entre ex-adversários, mudanças de postura ideológica para chegar ao poder, além de promessas não cumpridas.
QUESTÃO: As reivindicações salariais de parte dos servidores públicos, podem representar um novo fator no quadro sucessório? Nesta semana, quem esteve na Assembleia Legislativa pode constatar manifestações contrárias ao anunciado índice de 3,81% de aumento salarial. Entre ativos e inativos temos hoje 86 mil servidores.
É CEDO? Num ano de eleições, com novas regras e outros fatores que até poderão alterar os prognósticos iniciais, não seria prematuro admitir que o ‘fator bolso’ não pode ser desprezado. Hoje, o descontentamento já serve de munição para adversários em seus discursos no parlamento estadual. Por sua vez, o Governo é cauteloso nesta tratativa.
‘CALMA’: Para os observadores, o Governo precisa e deve olhar o Estado como um todo, sem deixar de medir o tamanho de seu lençol. A crítica – ao longo da história do Mato Grosso do Sul, não perdoou nenhum de seus governantes. Começou com Harry Amorim, sacrificado em nome dos interesses de lideranças políticas. Lembro bem.
NA LISTA: Marcelo Miranda, Pedro Pedrossian, Wilson Martins, Ramez Tebet, Zeca do PT, André Puccinelli e Reinaldo Azambuja – cada qual com seus méritos e nem por isso passaram intocáveis em matéria de críticas pelos funcionários. Em ano eleitoral, a questão financeira aflora e ganha prioridade nas falas oposicionistas. Como se diz: faz parte.
GOVERNABILIDADE: Um deputado lembrando que em 2023 o reajuste geral anual foi de 5% – em 2025 foi de 5,06%, sem romper o limite prudencial imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Esse reajuste de 3,81% terá um impacto R$353,5 milhões em 2026 – C$ 473,5 milhões em 2027 e R$490,1 milhões em 2028.
‘VOLEIBOL’: Vai ficando evidente a parceria branca entre o deputado João Catan (Novo) e os 3 integrantes do PT nas sessões da Assembleia Legislativa. Quando Catan faz observações críticas ao Governo, ganha apoio incontinenti dos colegas petistas e vice-versa. Lembra o ‘voleibol’, um jogador levanta a bola para o outro ‘cortar’.
APOSTA-1: Dando as costas para os números das pesquisas, há quem acredite nas chances de termos 2º turno nas eleições de MS. Duas expectativas: a primeira versa sobre o desempenho de João Catan como dissidente da direita; a segunda é sobre a candidatura de Fabio Trad (pelo PT), já fora dos quadros do Governo Lula.
APOSTA-2: No saguão da Assembleia Legislativa questiona-se muito sobre as chances e desempenho dos postulantes ao Senado: Contar, Nelsinho e Reinaldo. Esse último, aposta nos dividendos de sua política municipalista como governador; o segundo no fator ideológico (Bolsonarismo), e o segundo em suas ações (emendas) aos municípios.
APOSTA-3: Existe outro fator que não pode ser ignorado no resultado das urnas locais. Trata-se da influência do desempenho de Lula e de Flavio Bolsonaro devido a notória divisão de forças – direita e esquerda – no nosso eleitorado. Ainda paira dúvidas quanto ao nível de aceitação do nome de Flavio, que só o tempo poderá dizer.
ELES VEM AÍ: O ex-deputado Jerson Domingos, ex-governador Puccinelli, ex-prefeito Odilon (Aquidauana), Hélio Peluffo (ex-prefeito de Ponta Porã), Raíza Matos (ex-prefeita de Naviraí); Ângelo Guerreiro – ex-prefeito de Três Lagoas – compõem um quadro de postulantes com currículos de peso. Fica a pergunta: quem sairia da Assembleia para dar lugar à eles?
‘TROCA TROCA’: Intensa na janela partidária. Paulo Duarte sai do PSB e vai para o PSDB; Jamilson Name, Lia Nogueira e Caravina permanecem no PSDB; Marcio Fernandes deixa o MDB para ingressar no Liberal; Renato Câmara troca o MDB pelo Republicanos; Lídio Lopes: ingressará no PP, Avante ou Patriotas; Beto Pereira saindo do PSDB para presidir o Republicanos. Marcelo Miglioli, deixando a prefeitura da capital para tentar uma suplência ao Senado; Barbosinha abandona o PSD rumo ao Republicanos. O PL terá coronel David, Lucas de Lima, Paulo Corrêa, Zé Teixeira, Marcio Fernandes, Mara Caseiro, Neno Razuk.; Londres e Gerson Claro firmes no PP.
EM TEMPO: Com o advento das federações partidárias aumentou a interlocução dos partidos dos estados com as respectivas lideranças nacionais. Como ainda estamos no prazo legal (janela) tudo pode acontecer até o dia 3 de abril. Só após, poderemos ter o quadro oficial das candidaturas nesta ou aquela federação. Isso se chama política.
ALERTA: A intervenção desastrosa no leito do rio Mississipi (USA) precisa ser lembrada pelos defensores do idêntico processo no rio Paraguai para tentar ‘melhorar’ a navegação entre P. Murtinho e Corumbá. Aliás, o tema está na pauta da COP 15. Os impactos ameaçariam todo o Pantanal e as consequências ecológicas irrecuperáveis.
O RIO FEDE! Nos últimos 30 anos o Estado do Rio apresentou vários casos que envolveram seus governantes. Moreira Franco (1987/1991) foi preso suspeito de corrupção, mas foi solto; Antony Garotinho acabou preso, a exemplo de Rosinha Garotinha por atos de corrupção; Sergio Cabral foi alvo de 184 acusações, condenado a 430 anos de prisão, está solto e virou colunista; Luiz F. Pezão foi preso ainda no cargo por corrupção e hoje é prefeito de Piraí; Wilson Witzel (ex-magistrado) também foi preso por envolvimento de corrupção. Para finalizar temos Claudio Castro, declarado inelegível pelo TSE. Enfim, visto de cima o Rio continua lindo. Visto de baixo, fede.
PILULAS DIGITAIS:
“Não ficamos adultos, só ficamos bobos maiores. ” (Luiz F. Veríssimo)
A pergunta: quais ‘forças ocultas’ levaram Ratinho Jr. a desistir?
“Vamos lutar para que o caso Master chegue onde a Lava Jato foi impedida de chegar”. (Deltan Dallagnol – candidato ao Senado no Paraná)
“Na política, ninguém muda de rota sem motivo”. (na internet)
“O ódio e o fanatismo são duas doenças mentais que vêm da antiguidade e ainda nos atormentam”. (Amós Óz)
“Os socialistas são contra o lucro. Os capitalistas são apenas contra o prejuízo.” (Millôr)
“O homem é a soma de suas obsessões”. (Nelson Rodrigues)
“60% dos brasileiros não confiam no STF e nos ministros. 40% não sabem o que é o STF”.
“Tenho que preservar minha imagem” – como diz o velho palhaço traçando uma linha sobre a boca sem dentes. (Millôr)
