POLÍTICA MS
Sucessão de derrotas na capital intimida o PT?
POLÍTICA MS
AGORA VAI? Sair ou não da ‘zona de conforto’ ferindo as boas relações com o Governo do PSDB? Os cardeais do PT discutem a questão para as eleições da capital. Agora, vale destrinchar o desempenho petista desde o pleito de 1988, vencido por Lúdio Coelho com 64,15% dos votos. O candidato do PT foi Alcides Bartolomeu Farias com 7.064 votos – 4,07% dos votos válidos.
CRESCEU: No pleito de 1992 o candidato foi Zeca do PT obtendo 42.042 votos (19,65%) com Juvêncio C. da Fonseca, vitorioso com 115.432 votos (53,55%). Em 1996 o candidato Zeca do PT obteve 130.713 votos (49,92%) contra André Puccinelli (MDB) que chegou aos 131.124 votos (50,08%). Diferença de apenas 411 votos.
ELEIÇÕES 2000: Após perder por um triz em 1966 o PT lançou Ben Hur e Ari Rigo (PDT) de vice para enfrentar o MDB de Puccinelli que acabou vitorioso com 223.312 votos (68,13%). O PT chegou apenas a 69.511 votos (21,21%). Comparando com o desempenho da eleição anterior o PT enfraqueceu nas urnas. Foi um fiasco.
ELEIÇÕES 2004: Para enfrentar Nelsinho Trad (MDB) o PT lançou Vander Loubet (vice Flavio Renato PP) obtendo 87.981 votos (22,99%) contra 213.195 votos (55.07%) do emedebista. Em 2008 o candidato do PT foi Teruel com 23,43% dos votos contra Nelsinho Trad (vice Edil Albuquerque) que obteve 288.821 votos e se reelegendo.
ELEIÇÕES 2012: Com Vander candidato (vice Cabo Almi) não chegou ao 2º turno. Apenas 21.377 votos (4,87%). Contra tudo e contra o ‘sistema’ venceu Alcides Bernal (PP). Em 2016 foi a vez de Alex do PT com 8.482 votos (1,99%) no pleito polarizado entre Marquinhos Trad (PSD) e Rose Modesto (PSDB). Desempenho pífio.
ELEIÇÕES 2020: O deputado Pedro Kemp foi o candidato petista da vez chegando a 34.546 votos (8,32%). Marquinhos Trad venceu no 1º turno (52,58%). Kemp ficou em 3º lugar atrás do Promotor Harfouche (Avante) que chegou aos 48.094 votos (11,58%). Uma eleição onde não faltaram opções aos eleitores: 14 candidatos a prefeito.
SEPARAÇÃO: Duas eleições (2004 e 2008) municipais durante os dois mandatos de Lula eleito em 2002 e reeleito em 2006. Lula não evitou a vitória de Nelsinho sobre Vander em 2004 e nem a derrota de Teruel para Nelsinho em 2008. Nas duas vezes o discurso nacional sucumbiu ao debate local. E agora, será diferente?
ENFIM… Não por acaso o PT tenta se livrar da candidatura da deputada Camila Jara. De olho em 2026 para viabilizar a candidatura de Vander Loubet ao Senado, o PT flerta com Rose Modesto (União Brasil) e com o parceiro PSDB. Habilidade ou temor por mais um desastre do partido, (mesmo com Lula no poder), onde jamais venceu?
‘NOVOS TEMPOS’: Enganou-se quem imaginou ver o deputado Zeca do PT repetir a postura radical de seu primeiro mandato. Hoje ele é só alegria nas relações com o Governo, derramando elogios ao governador Riedel e secretários. Aliás Riedel sabe do que os petistas gostam e adotou a velha receita de São Francisco de Assis. É dando…
MANCADA: Observadores entendem que o deputado Rafael Tavares (PRTB) pecou ao se ausentar das sessões após o julgamento de sua cassação. Poderia ter usado a tribuna como palanque e abordar questões afins e assim fazer sua campanha antecipada a vereança na capital. A lógica diz que na campanha usará o discurso da vitimização.
ROBERTO BRANT: “Da virada do século até agora quase nada melhorou no Brasil. Nossa renda por habitante está praticamente estagnada, há um visível encolhimento da classe média, aumentou na população a percepção de corrupção e de insegurança e a confiança do povo nas instituições está em seu momento mais crítico. Se o presente durante para sempre estaríamos perdidos”.
LENÇO DE PAPEL: O descarte dos partidos pelos políticos já é tradição. Não há qualquer vínculo ideológico ou comprometimento confiável. As notícias sobre as mudanças partidárias na próxima janela partidária comprovam essa pratica oportunista. Com dezenas de siglas do ‘mercado partidário’ o político está à vontade para escolher.
BOA NOTÍCIA: Agora todos os partidos participarão da chamada ‘sobra de vagas’ não preenchidas nas eleições proporcionais, independentemente de alcançar ou não a clausula de desempenho. A decisão do STF acaba com a lei que prejudicava as siglas menores. O novo critério beneficia inclusive as ‘federações partidárias’, cujos partidos integrantes com direito as vagas da sobra.
LEMBRETE: Nas eleições proporcionais primeiro as vagas são destinadas às siglas que obtiveram 100% do quociente eleitoral e preenchidas pelos candidatos com votos em número igual ou superior a 10% do quociente. Na fase seguinte participam das sobras os partidos com pelo menos 80% do quociente eleitoral – e os candidatos com votação igual ou superior a 20% desse quociente.
NO INTERIOR: Independente do colégio eleitoral, as eleições são desgastantes, renhidas. Mas às vezes um bom café amigo evita tudo isso. Em Nova Andradina, por exemplo, a pré-candidata a prefeita Dione Hashioka estaria desistindo da candidatura e contemplada com o cargo de subsecretária da Educação. Isso se chama política.
REFLEXÕES: “O futuro encontra-se em aberto. Tudo pode acontecer. Temos o dever moral de enfrentar o futuro de um modo diferente daquele que seria se o futuro fosse apenas uma continuação do passado e do presente” (Karl Popper). “Na política temos o direito de ter a expectativa de milagres, porque os homens são aptos para realizar o improvável”. (Hannah Arendt)
TURBINADO: No saguão da Assembleia Legislativa o ex-governador Reinaldo Azambuja (PSDB) é alvo de comentários. Políticos da capital e interior falam de sua atuação incessante junto as bases eleitorais, incentivando companheiros e costurando alianças. Ocupando os espaços – um olho neste pleito e outro nas eleições de 2026.
QUESTÕES: Quantos candidatos devem se eleger na aba do chapéu de Bolsonaro? Cauteloso com as palavras ele deve participar ativamente de mobilizações junto aos seus aliados. Embora seja cedo para previsões percebe-se Bolsonaro quer fomentar essa postura de oposição, cuja amostra na Avenida Paulista impressionou até adversários.
DOURADOS: As cortinas do cenário político vão se abrindo e um novo protagonista se apresenta. O vice governador José C. Barbosa (PP) revelou sua pretensão de concorrer ao cargo de prefeito. O fato acrescenta mais um ingrediente interessante nesta fase de articulações de grupos e partidos. É cedo para previsões mas promete!
FLECHADA: O ministro Fernando Haddad pediu no G20 a colaboração dos bilionários no sentido de que eles deixem de aproveitar os chamados ‘buracos tributários’. Seria o caso de se perguntar: o pedido também vale para os devedores bilionários da Lava Jato com liminares dos ministros Tóffoli e Mendonça?
PONTO FINAL:
É inútil tentar fazer um homem abandonar pelo raciocínio as coisas que não adquiriu pela razão. (Sócrates)
COLUNISTA
OPOSIÇÃO ENSAIA O DISCURSO DE CAMPANHA
OPINIÃO: Como diz o ex-deputado Eduardo Cunha: “Ao fim do dia 4, teremos a exata noção do que vai rolar para a próxima campanha eleitoral, onde governadores renunciarão para serem candidatos, candidatos a eleições majoritárias definirão seu destino, listas fortes ou fracas serão formadas, possíveis novos candidatos a presidente serão definidos. Enfim, o jogo estará pronto para ser jogado”.
DIFERENÇAS: O Fundo Eleitoral é destinado aos partidos em anos eleitorais para bancar as campanhas de seus candidatos, como viagens, cabos eleitorais e material de divulgação. Já o Fundo Partidário abastece os partidos mensalmente para custear as despesas (energia, água, aluguel). É produto de mistura de verba pública e doações privadas (dotações orçamentarias da União, multas e outros recursos da Lei 9.096/95)
CERTO? A incoerência na política é vista como uma dança de ziguezagues, onde os interesses pessoais superaram os princípios éticos, tornando a memória curta e a contradição aliados habituais do político. É marcada por alianças pragmáticas entre ex-adversários, mudanças de postura ideológica para chegar ao poder, além de promessas não cumpridas.
QUESTÃO: As reivindicações salariais de parte dos servidores públicos, podem representar um novo fator no quadro sucessório? Nesta semana, quem esteve na Assembleia Legislativa pode constatar manifestações contrárias ao anunciado índice de 3,81% de aumento salarial. Entre ativos e inativos temos hoje 86 mil servidores.
É CEDO? Num ano de eleições, com novas regras e outros fatores que até poderão alterar os prognósticos iniciais, não seria prematuro admitir que o ‘fator bolso’ não pode ser desprezado. Hoje, o descontentamento já serve de munição para adversários em seus discursos no parlamento estadual. Por sua vez, o Governo é cauteloso nesta tratativa.
‘CALMA’: Para os observadores, o Governo precisa e deve olhar o Estado como um todo, sem deixar de medir o tamanho de seu lençol. A crítica – ao longo da história do Mato Grosso do Sul, não perdoou nenhum de seus governantes. Começou com Harry Amorim, sacrificado em nome dos interesses de lideranças políticas. Lembro bem.
NA LISTA: Marcelo Miranda, Pedro Pedrossian, Wilson Martins, Ramez Tebet, Zeca do PT, André Puccinelli e Reinaldo Azambuja – cada qual com seus méritos e nem por isso passaram intocáveis em matéria de críticas pelos funcionários. Em ano eleitoral, a questão financeira aflora e ganha prioridade nas falas oposicionistas. Como se diz: faz parte.
GOVERNABILIDADE: Um deputado lembrando que em 2023 o reajuste geral anual foi de 5% – em 2025 foi de 5,06%, sem romper o limite prudencial imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Esse reajuste de 3,81% terá um impacto R$353,5 milhões em 2026 – C$ 473,5 milhões em 2027 e R$490,1 milhões em 2028.
‘VOLEIBOL’: Vai ficando evidente a parceria branca entre o deputado João Catan (Novo) e os 3 integrantes do PT nas sessões da Assembleia Legislativa. Quando Catan faz observações críticas ao Governo, ganha apoio incontinenti dos colegas petistas e vice-versa. Lembra o ‘voleibol’, um jogador levanta a bola para o outro ‘cortar’.
APOSTA-1: Dando as costas para os números das pesquisas, há quem acredite nas chances de termos 2º turno nas eleições de MS. Duas expectativas: a primeira versa sobre o desempenho de João Catan como dissidente da direita; a segunda é sobre a candidatura de Fabio Trad (pelo PT), já fora dos quadros do Governo Lula.
APOSTA-2: No saguão da Assembleia Legislativa questiona-se muito sobre as chances e desempenho dos postulantes ao Senado: Contar, Nelsinho e Reinaldo. Esse último, aposta nos dividendos de sua política municipalista como governador; o segundo no fator ideológico (Bolsonarismo), e o segundo em suas ações (emendas) aos municípios.
APOSTA-3: Existe outro fator que não pode ser ignorado no resultado das urnas locais. Trata-se da influência do desempenho de Lula e de Flavio Bolsonaro devido a notória divisão de forças – direita e esquerda – no nosso eleitorado. Ainda paira dúvidas quanto ao nível de aceitação do nome de Flavio, que só o tempo poderá dizer.
ELES VEM AÍ: O ex-deputado Jerson Domingos, ex-governador Puccinelli, ex-prefeito Odilon (Aquidauana), Hélio Peluffo (ex-prefeito de Ponta Porã), Raíza Matos (ex-prefeita de Naviraí); Ângelo Guerreiro – ex-prefeito de Três Lagoas – compõem um quadro de postulantes com currículos de peso. Fica a pergunta: quem sairia da Assembleia para dar lugar à eles?
‘TROCA TROCA’: Intensa na janela partidária. Paulo Duarte sai do PSB e vai para o PSDB; Jamilson Name, Lia Nogueira e Caravina permanecem no PSDB; Marcio Fernandes deixa o MDB para ingressar no Liberal; Renato Câmara troca o MDB pelo Republicanos; Lídio Lopes: ingressará no PP, Avante ou Patriotas; Beto Pereira saindo do PSDB para presidir o Republicanos. Marcelo Miglioli, deixando a prefeitura da capital para tentar uma suplência ao Senado; Barbosinha abandona o PSD rumo ao Republicanos. O PL terá coronel David, Lucas de Lima, Paulo Corrêa, Zé Teixeira, Marcio Fernandes, Mara Caseiro, Neno Razuk.; Londres e Gerson Claro firmes no PP.
EM TEMPO: Com o advento das federações partidárias aumentou a interlocução dos partidos dos estados com as respectivas lideranças nacionais. Como ainda estamos no prazo legal (janela) tudo pode acontecer até o dia 3 de abril. Só após, poderemos ter o quadro oficial das candidaturas nesta ou aquela federação. Isso se chama política.
ALERTA: A intervenção desastrosa no leito do rio Mississipi (USA) precisa ser lembrada pelos defensores do idêntico processo no rio Paraguai para tentar ‘melhorar’ a navegação entre P. Murtinho e Corumbá. Aliás, o tema está na pauta da COP 15. Os impactos ameaçariam todo o Pantanal e as consequências ecológicas irrecuperáveis.
O RIO FEDE! Nos últimos 30 anos o Estado do Rio apresentou vários casos que envolveram seus governantes. Moreira Franco (1987/1991) foi preso suspeito de corrupção, mas foi solto; Antony Garotinho acabou preso, a exemplo de Rosinha Garotinha por atos de corrupção; Sergio Cabral foi alvo de 184 acusações, condenado a 430 anos de prisão, está solto e virou colunista; Luiz F. Pezão foi preso ainda no cargo por corrupção e hoje é prefeito de Piraí; Wilson Witzel (ex-magistrado) também foi preso por envolvimento de corrupção. Para finalizar temos Claudio Castro, declarado inelegível pelo TSE. Enfim, visto de cima o Rio continua lindo. Visto de baixo, fede.
PILULAS DIGITAIS:
“Não ficamos adultos, só ficamos bobos maiores. ” (Luiz F. Veríssimo)
A pergunta: quais ‘forças ocultas’ levaram Ratinho Jr. a desistir?
“Vamos lutar para que o caso Master chegue onde a Lava Jato foi impedida de chegar”. (Deltan Dallagnol – candidato ao Senado no Paraná)
“Na política, ninguém muda de rota sem motivo”. (na internet)
“O ódio e o fanatismo são duas doenças mentais que vêm da antiguidade e ainda nos atormentam”. (Amós Óz)
“Os socialistas são contra o lucro. Os capitalistas são apenas contra o prejuízo.” (Millôr)
“O homem é a soma de suas obsessões”. (Nelson Rodrigues)
“60% dos brasileiros não confiam no STF e nos ministros. 40% não sabem o que é o STF”.
“Tenho que preservar minha imagem” – como diz o velho palhaço traçando uma linha sobre a boca sem dentes. (Millôr)
