MATO GROSSO DO SUL
Fábrica de móveis de Dourados encontra na mão de obra prisional qualidade, economia e oportunidade de ressocializar
MATO GROSSO DO SUL
No Estabelecimento Penal Masculino de Regimes Semiaberto e Aberto de Dourados está instalada uma fábrica de móveis, que utiliza mão de obra de custodiados na produção de camas de casal, solteiro e beliche, com uma média mensal de 400 móveis, com a meta de dobrar esta produção dentro de poucos meses.
A iniciativa integra parceria entre a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) e a Düoll Móveis e está em funcionamento desde agosto do ano passado.
Atualmente, doze reeducandos estão trabalhando no local, mas a meta é que esse total de trabalhadores seja dobrado dentro de pouco tempo. “Final e começo de ano a demanda de produção é menor, mas queremos ampliar a produção de camas e também iremos iniciar a fabricação de mesas e cadeiras, o que demandará pelo menos 20 trabalhadores nesta oficina”, explica a proprietária da empresa parceira, Ana Cristina Gonçalves de Souza Capille.

Segundo ela, a instalação da oficina no local e o emprego de mão de obra dos internos representou uma oportunidade de iniciar o negócio no ramo de marcenaria, garantindo economia, ao mesmo tempo em que realiza uma ação social, pois ocupa produtivamente os internos e os capacita profissionalmente.
“Tínhamos o maquinário e soubemos do espaço disponível no presídio, então procuramos informação e decidimos apostar. Existe muito preconceito da sociedade nesta utilização de mão de obra de presos, mas estamos muito satisfeitos com essa parceria da Agepen, há muito respeito e dedicação ao trabalho por parte dos internos”, garante a empresária, que também atua diretamente com os detentos na lida diária da oficina.
Ana Capille destaca a qualidade dos serviços prestados e a economia gerada nos custos finais da empresa. Outro fator importante, pontua, é a satisfação de estar contribuindo para que os reeducandos aprendam uma profissão que fará a diferença quando estiverem em liberdade. “Aqui eles passam por todo o processo de produção, cortam, lixam, montam, estão preparados para trabalhar com o ramo de marcenaria”, afirma.
O que é produzido na marcenaria da unidade prisional é comercializado pela empresa em lojas de vários municípios de Mato Grosso do Sul com destaque para Campo Grande, Três Lagoas, Corumbá e Dourados.
Pelo trabalho, cada interno recebe ¾ do salário mínimo e remição de um dia na pena a cada três de serviços prestados, em conformidade com a Lei de Execução Penal (LEP).
A parceria com a Düoll Móveis é uma das 195 efetivadas, no momento, entre a Agepen e empresas conveniadas, contribuindo para que Mato Grosso do Sul tenha o dobro da média nacional de presos trabalhando, com 35% do total, enquanto o percentual médio é de 16%, segundo último levantamento divulgado pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen). Ao todo, são 7 mil internos trabalhando dentro e fora das unidades prisionais do estado.
Além da questão social, o trabalho prisional também é vantajoso para as empresas e instituições que o utilizam, com uma redução de mais de 40% nos custos com o funcionário, uma vez que não arcam com férias, 13º salário e recolhimento de FGTS. Essa economia se deve a não ser regido pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), mas pela Lei de Execução Penal.
Serviço
Empresas interessadas em estabelecer parcerias de trabalho podem entrar em contato pelo telefone 67 3901-1046 ou e-mail: [email protected].
No site da Agepen está disponível a cartilha “Mão de Obra Carcerária – Orientações para Futuros Conveniados”. O manual traz informações sobre quais os benefícios das parcerias para ocupação do trabalho prisional, obrigatoriedades do empregador, como proceder para firmar convênios com a agência penitenciária, entre outras.
Keila Oliveira, Agepen
CARAVINA EM PAUTA
Projeto relatado por Caravina avança e garante cartório para Nova Casa Verde
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul aprovou, em primeira votação, o projeto que prevê a criação de um cartório de registro civil no distrito de Nova Casa Verde, em Nova Andradina.
A proposta, de autoria do Poder Judiciário e com relatoria do deputado estadual Pedro Caravina, representa um avanço importante para a população da região, que atualmente precisa se deslocar cerca de 50 quilômetros para acessar serviços básicos de registro civil.
O distrito de Nova Casa Verde reúne aproximadamente 1.200 propriedades rurais, entre assentamentos e fazendas, o que evidencia a necessidade de ampliar a estrutura de atendimento à população local.
A demanda pela instalação do cartório já vinha sendo acompanhada pelo deputado, que anteriormente apresentou indicação solicitando a implantação do serviço no distrito, reforçando a necessidade de ampliar o acesso da população aos serviços civis.
Segundo Caravina, a medida atende a uma reivindicação antiga da comunidade e contribui diretamente para facilitar o dia a dia dos moradores.
“Estamos falando de acesso. Hoje, muita gente precisa sair do distrito para resolver questões simples. Com o cartório mais próximo, isso muda a realidade da população”, destacou.
O parlamentar ressalta que o tema sempre esteve em pauta em sua atuação, com diálogo junto às lideranças locais e acompanhamento das demandas da região.
Com a criação da nova unidade, a expectativa é garantir mais agilidade, comodidade e dignidade no acesso a serviços essenciais, como registros de nascimento, casamento e outros atos civis.
O projeto prevê que a instalação do cartório ocorrerá após a realização de concurso público, conforme determina a legislação vigente, e integra a reorganização das unidades extrajudiciais no município de Nova Andradina.
A proposta segue agora para as próximas etapas de tramitação na Assembleia Legislativa.
