CIDADES
03 de julho – Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial
CIDADES
HU-UFGD implantou o Comitê de Políticas Afirmativas e Antidiscriminatórias, com objetivo de promover ações educativas
Lembrado em 03 de julho, o Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial faz referência à lei nº 1.390, de 03/07/1951, a primeira no Brasil que tratou como crime, passível de prisão e multa, as práticas de discriminação por raça e cor. Ao longo dos anos a legislação sobre o tema foi se ampliando, a exemplo da lei nº 7.716, de 05/01/1989 (Lei do Crime Racial) que prevê punição a todo tipo de discriminação ou preconceito incluindo questões como origem, sexo e idade. Em 2023, a lei 14.532 de 11/01/2023 alterou a Lei do Crime Racial tipificando a injúria racial na lista dos atos discriminatórios. Apesar do aparato legal e espaços para denúncias, há um longo caminho a ser percorrido para o enfretamento à discriminação racial no Brasil, sobretudo quando se trata da efetiva aplicação da lei. Dados de uma pesquisa organizada pelo Ministério Público Federal (MPF) apontam que, entre os anos de 2000 e 2021, a cada dez denúncias de injúria racial encaminhadas a Polícia Federal, nove eram concluídas sem nenhum indiciamento de autores do ato criminoso.
Denúncia, apuração e punição dos atos discriminatórios são fatores necessários para o enfretamento do problema, porém a prevenção é igualmente necessária. Neste sentido, no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), vinculado à Rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), foi criado o Comitê de Políticas Afirmativas e Antidiscriminatórias (COPAA), com objetivo de promover ações educativas com colaboradores e usuários dos serviços, assim como seus acompanhantes.
O comitê é composto por profissionais do HU-UFGD com atenção a representatividade às minorias sociais, ou seja, mulheres, pessoas negras e indígenas, pessoas com deficiência e LGBTQIPNA+. “Essa comissão atua tanto na questão das atividades educativas para os grupos que são socialmente discriminados, quanto na questão de averiguar os casos de discriminação dentro do hospital”, explica Iury Viana Santana, psicólogo do HU-UFGD e coordenador do COPAA.
Segundo Iury Viana, atualmente as ações educativas do comitê estão voltadas para Unidade de Saúde da Mulher, mas serão ampliadas para Unidade de Cuidados intermediários e para Unidade de Clinica Médica. “No momento estamos realizando atividades, junto com o projeto de extensão do curso de Psicologia da universidade, visando refletir sobre a postura profissional diante de situações que ocorrem dentro das unidades do hospital. A ação acontece de forma contextualizada, conforme a demanda do local, pois cada unidade tem a sua própria problemática”, pontua.
Sobre a Ebserh
O HU-UFGD faz parte da Rede Ebserh desde setembro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
CIDADES
Cidadania sem barreiras: Posto do Pátio Central vira referência nacional no atendimento a autistas
Emissão de documento parece burocracia, mas para uma pessoa com autismo e sua família, o ambiente de um posto de identificação pode ser um campo de batalha sensorial: luzes fortes, barulho, filas e o toque da biometria. No coração de Campo Grande, o Governo de MS decidiu mudar essa regra.
O posto do Pátio Central, que lidera o volume de emissões no Estado (com mais de 134 mil documentos expedidos), celebra o sucesso da sala “Posto Amigo do Autista”. O resultado? Quase 20% de todas as Carteiras de Identidade Nacional (CIN) com símbolo de TEA em Mato Grosso do Sul saíram de lá.
Inclusão que vai além da placa na porta
O projeto não foi apenas “colocar um adesivo”. Com um investimento de R$ 82 mil via Sejusp, a estrutura foi desenhada para o que realmente importa:
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Conforto Sensorial: Isolamento acústico e iluminação reduzida para evitar crises.
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Previsibilidade: Recursos táteis e ambiente controlado para que o atendimento flua sem ansiedade.
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Capacitação Humana: Servidores treinados para entender as particularidades do espectro, garantindo que a coleta da biometria seja concluída com sucesso.
O fim das remarcações
Antes da sala adaptada, era comum que atendimentos para pessoas com TEA precisassem ser remarcados ou feitos em domicílio devido ao estresse do ambiente. Hoje, essas situações tornaram-se exceção.
“A emissão de um documento representa pertencimento e acesso a direitos. Quando o Estado adapta o serviço à realidade do cidadão, ele está garantindo o exercício pleno da cidadania”, destaca a gestão da Polícia Científica.
MS na vanguarda da Identificação
Com mais de 13 mil documentos emitidos em MS com algum tipo de identificação de deficiência, o TEA lidera as solicitações. O modelo do Pátio Central prova que eficiência (500 atendimentos/dia) pode — e deve — caminhar junto com a humanização.
