POLÍTICA MS
O peso do Senado e das vaias, Morenão, a crise no humor
POLÍTICA MS
NA MÍDIA: As vaias da ministra Simone Tebet em Três Lagoas renderam manchetes. Em ano pré-eleitoral, por conta de fatores notórios, não surpreende. Pode ou não influir no futuro político dela. Reverter os efeitos de vaias é difícil. Simone, alvo da ira de seus ex-eleitores inclusive, manifestaram-se como permite a democracia.
PROJETOS: Diferentes, mas ligados. Simone deve manter sua candidatura ao Senado apesar do ambiente desfavorável. Enquanto isso exercita a paciência esperando o desenrolar do quadro sucessório nacional, onde seu partido é parceiro de Lula. Aos mais íntimos confessa que cultiva o sonho de ser candidata a vice-presidente de Lula.
HISTÓRIA: São Paulo odiava Getúlio Vargas pelo golpe de estado contra o paulista Washington Luiz em 1930 e por derrotar a Revolução de 1932. Para ir à inauguração do Estádio do Pacaembu em 1940, Getúlio transferiu a festa de 1º de Maio do Rio para São Paulo. Não deu outra: foi recebido com aplausos e desfilou em carro aberto inclusive.
COMPARANDO: Palanque político não é igual aos jogos de tênis onde é proibido vaiar; enquanto os aplausos são disciplinados e permitidos entre os games. O palanque político não exala elegância do tênis ou do público do teatro numa noite de ópera. Pelo contrário; exala ranço, vingança e às vezes chega as raias descabidas do ódio.
APLAUSOS E VAIAS: Heranças do Império Romano. Ao banir um grupo popular de atores, o imperador Tiberius foi a primeira vítima da vaia. Nas arenas não havia terceira via para os gladiadores: glória ou morte. Enquanto isso nos festivais de teatro da Grécia, as manifestações sonoras (palmas) do público representavam a aprovação; ou desagrado (assobios) pelo espetáculo.
INQUISIÇÃO? A condenação do humorista Leo Lins a pena de 8 anos e 3 meses de prisão, multa de R$1,4 milhão e R$ 300 mil por danos morais coletivos dando o que falar na mídia. Discute-se os limites do humor, a liberdade de expressão e a intolerância. Neste ritmo os humoristas terão que mudar de profissão? Um tema delicado.
EM BAIXA: Outra ex-candidata ao Planalto, senadora Soraya Thronicke de saia justa. Ela é acusada pelo senador Hiran, presidente da CPI das Bets, de usar argumentos fantasiosos para se promover. Ele se referiu as supostas ameaças a integridade física alegadas por Soraya. Delírios de fim de mandato: sem grupo e sem padrinho.
VERDADES: Deputados, Zeca do PT e Paulo Duarte, denunciam o sucateamento dos órgãos federais no estado. Casos por exemplo da Funasa e Funai com verbas curtas, sem condições de melhorar suas estruturas e o atendimento. Ambos reconhecem que esse descaso não é coisa de agora. Aí a gente conclui: desprestígio nosso ‘lá em cima’.
‘CLIMA QUENTE’: Antes das urnas, a guerra das pesquisas. Com menos de 7 mil votos Bandeirantes vive aquele clima gostoso de eleições interioranas. Sua localização facilita a presença de deputados. Aliás, em 2022, o deputado Marcio Fernandes liderou com 426 votos, seguido por Jamilson Name (342 votos) e Lucas de Lima (341 votos).
PREOCUPAÇÃO: Embora Riedel e Reinaldo recomendem calma aos companheiros quanto ao futuro caminho partidário a seguir, há um clima de apreensão. Como deu em nada a sonhada fusão com o Podemos, volta a ser possível a federação com o MDB e Republicanos. Enfim, muito papo e nada decidido. Mas e o eleitor, foi consultado?
FELIZ DA VIDA: Assim o ex-deputado Felipe Orro define a sua atual fase; tempo para a família e de seus afazeres da vida rural, sem compromissos estressantes e tantas alertas do celular. Sua opinião é que o ex-governador Reinaldo continua dando as cartas e o admira pela sua competência e estilo de ouvir os companheiros.
CPI DOS ÔNIBUS: “Vejo a solução “fácil” de renovar a frota: é necessária, porém a que custo? O atual consórcio tem interesse empresarial em investir quase meio bilhão de reais, para renovar toda a frota, com um contrato que vence daqui a 7 anos? E se esse consórcio sair, quem o irá substituir? ” (Fayez José Risk – arquiteto urbanista)
SEM SAÍDA: O que esperar do final da rumorosa CPI? O que realmente poderemos ter depois? Qual a saída pratica e exitosa do episódio? O estudioso arquiteto compara o previsível final desta CPI com aquele velho ditado popular que diz “cachorro correndo atrás de um carro, quando este para, ele não sabe o que fazer. ”
MINISTRO FACHIN: “ Cabe ao Poder Judiciário e em especial a este Tribunal, proteger direitos fundamentais, preservar a democracia constitucional e buscar a eficiência da Justiça brasileira. Para fazê-lo, precisamos de contenção. Não nos é legítimo invadir a seara do legislador. O respeito ao dissenso e à convivência democrática são lições também para todos os Poderes e todas as instituições. ”
DIFERENTES: Muitos políticos fazem dos filhos, herdeiros (monarquia particular) na vida pública. Não é o caso do ex-governador José Fragelli, falecido em 30 de abril de 2010 aos 94 anos de idade. Seus dois filhos Nei Fragelli e Nelson Fragelli optaram pela vida discreta. Ambos engenheiros; Nelson reside aqui na capital e Nei na Europa.
MORENÃO: Quanto custaria sua reforma? Com esse futebol medíocre atual não há público compatível. Ele foi construído numa outra época. É boa a intenção dos deputados Pedrossian Neto, Gerson Claro e outros deputados envolvidos, mas acho que essa não é saída. Cara demais! O Morenão não pode ser o salvador do nosso futebol, empobrecido e refém de aproveitadores.
FOCO MAIOR: A disputa que irá merecer atenção maior em 2026 será do Senado. Observadores avaliam que a maioria vai garantir avanços em pautas importantes para o próximo Governo. Em jogo ,54 cadeiras (dois terços da Casa). A oposição só poderá fazer o enfrentamento ao STF se tiver a maioria. Lula já advertiu desses riscos.
AVALIAÇÕES: Certa feita tentaram fazer aqui o ‘Pedrossianismo sem o Pedro’. Por uma série de fatores não deu certo. Agora ouço seguidamente a tese do pessoal do ‘centro’ em tentar emplacar o chamado Bolsonarismo sem o ex-presidente. São personagens e cenários diferentes – até incomparáveis. Concorda?
PILULAS DIGITAIS:
O brasileiro sem saber se vai pro arraial ou procura um bunker.
Na política você tem que ter lado. (ministra Simone Tebet)
Tão perto da 3ª. Guerra mundial e tão longe de ter a casa própria.
Se for pra começar a 3ª. Guerra, que seja em agosto, que nem tem feriado.
Não passo o pano, mas prender por piada não dá. (Dani Calabresa – sobre Leo Dias)
Se um canibal aprender a usar garfo, isso é considerado progresso? (Stanislaw J. Lec)
O progresso pode ter sido benéfico, mas agora está indo longe demais. (Ododen Nash)
É um desastre contratar no Brasil, pois as pessoas estão viciadas no Bolsa Família. (Ricardo Faria – ‘Rei do ovo’)
Já faz muito tempo, mas ainda lembro do tempo em que o ar era limpo e o sexo sujo. (George Burns)
Ah, não! Pode parar! Sou professora, as férias estão chegando, já parcelei 7 dias na praia em suaves prestações.
COLUNISTA
OPOSIÇÃO ENSAIA O DISCURSO DE CAMPANHA
OPINIÃO: Como diz o ex-deputado Eduardo Cunha: “Ao fim do dia 4, teremos a exata noção do que vai rolar para a próxima campanha eleitoral, onde governadores renunciarão para serem candidatos, candidatos a eleições majoritárias definirão seu destino, listas fortes ou fracas serão formadas, possíveis novos candidatos a presidente serão definidos. Enfim, o jogo estará pronto para ser jogado”.
DIFERENÇAS: O Fundo Eleitoral é destinado aos partidos em anos eleitorais para bancar as campanhas de seus candidatos, como viagens, cabos eleitorais e material de divulgação. Já o Fundo Partidário abastece os partidos mensalmente para custear as despesas (energia, água, aluguel). É produto de mistura de verba pública e doações privadas (dotações orçamentarias da União, multas e outros recursos da Lei 9.096/95)
CERTO? A incoerência na política é vista como uma dança de ziguezagues, onde os interesses pessoais superaram os princípios éticos, tornando a memória curta e a contradição aliados habituais do político. É marcada por alianças pragmáticas entre ex-adversários, mudanças de postura ideológica para chegar ao poder, além de promessas não cumpridas.
QUESTÃO: As reivindicações salariais de parte dos servidores públicos, podem representar um novo fator no quadro sucessório? Nesta semana, quem esteve na Assembleia Legislativa pode constatar manifestações contrárias ao anunciado índice de 3,81% de aumento salarial. Entre ativos e inativos temos hoje 86 mil servidores.
É CEDO? Num ano de eleições, com novas regras e outros fatores que até poderão alterar os prognósticos iniciais, não seria prematuro admitir que o ‘fator bolso’ não pode ser desprezado. Hoje, o descontentamento já serve de munição para adversários em seus discursos no parlamento estadual. Por sua vez, o Governo é cauteloso nesta tratativa.
‘CALMA’: Para os observadores, o Governo precisa e deve olhar o Estado como um todo, sem deixar de medir o tamanho de seu lençol. A crítica – ao longo da história do Mato Grosso do Sul, não perdoou nenhum de seus governantes. Começou com Harry Amorim, sacrificado em nome dos interesses de lideranças políticas. Lembro bem.
NA LISTA: Marcelo Miranda, Pedro Pedrossian, Wilson Martins, Ramez Tebet, Zeca do PT, André Puccinelli e Reinaldo Azambuja – cada qual com seus méritos e nem por isso passaram intocáveis em matéria de críticas pelos funcionários. Em ano eleitoral, a questão financeira aflora e ganha prioridade nas falas oposicionistas. Como se diz: faz parte.
GOVERNABILIDADE: Um deputado lembrando que em 2023 o reajuste geral anual foi de 5% – em 2025 foi de 5,06%, sem romper o limite prudencial imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Esse reajuste de 3,81% terá um impacto R$353,5 milhões em 2026 – C$ 473,5 milhões em 2027 e R$490,1 milhões em 2028.
‘VOLEIBOL’: Vai ficando evidente a parceria branca entre o deputado João Catan (Novo) e os 3 integrantes do PT nas sessões da Assembleia Legislativa. Quando Catan faz observações críticas ao Governo, ganha apoio incontinenti dos colegas petistas e vice-versa. Lembra o ‘voleibol’, um jogador levanta a bola para o outro ‘cortar’.
APOSTA-1: Dando as costas para os números das pesquisas, há quem acredite nas chances de termos 2º turno nas eleições de MS. Duas expectativas: a primeira versa sobre o desempenho de João Catan como dissidente da direita; a segunda é sobre a candidatura de Fabio Trad (pelo PT), já fora dos quadros do Governo Lula.
APOSTA-2: No saguão da Assembleia Legislativa questiona-se muito sobre as chances e desempenho dos postulantes ao Senado: Contar, Nelsinho e Reinaldo. Esse último, aposta nos dividendos de sua política municipalista como governador; o segundo no fator ideológico (Bolsonarismo), e o segundo em suas ações (emendas) aos municípios.
APOSTA-3: Existe outro fator que não pode ser ignorado no resultado das urnas locais. Trata-se da influência do desempenho de Lula e de Flavio Bolsonaro devido a notória divisão de forças – direita e esquerda – no nosso eleitorado. Ainda paira dúvidas quanto ao nível de aceitação do nome de Flavio, que só o tempo poderá dizer.
ELES VEM AÍ: O ex-deputado Jerson Domingos, ex-governador Puccinelli, ex-prefeito Odilon (Aquidauana), Hélio Peluffo (ex-prefeito de Ponta Porã), Raíza Matos (ex-prefeita de Naviraí); Ângelo Guerreiro – ex-prefeito de Três Lagoas – compõem um quadro de postulantes com currículos de peso. Fica a pergunta: quem sairia da Assembleia para dar lugar à eles?
‘TROCA TROCA’: Intensa na janela partidária. Paulo Duarte sai do PSB e vai para o PSDB; Jamilson Name, Lia Nogueira e Caravina permanecem no PSDB; Marcio Fernandes deixa o MDB para ingressar no Liberal; Renato Câmara troca o MDB pelo Republicanos; Lídio Lopes: ingressará no PP, Avante ou Patriotas; Beto Pereira saindo do PSDB para presidir o Republicanos. Marcelo Miglioli, deixando a prefeitura da capital para tentar uma suplência ao Senado; Barbosinha abandona o PSD rumo ao Republicanos. O PL terá coronel David, Lucas de Lima, Paulo Corrêa, Zé Teixeira, Marcio Fernandes, Mara Caseiro, Neno Razuk.; Londres e Gerson Claro firmes no PP.
EM TEMPO: Com o advento das federações partidárias aumentou a interlocução dos partidos dos estados com as respectivas lideranças nacionais. Como ainda estamos no prazo legal (janela) tudo pode acontecer até o dia 3 de abril. Só após, poderemos ter o quadro oficial das candidaturas nesta ou aquela federação. Isso se chama política.
ALERTA: A intervenção desastrosa no leito do rio Mississipi (USA) precisa ser lembrada pelos defensores do idêntico processo no rio Paraguai para tentar ‘melhorar’ a navegação entre P. Murtinho e Corumbá. Aliás, o tema está na pauta da COP 15. Os impactos ameaçariam todo o Pantanal e as consequências ecológicas irrecuperáveis.
O RIO FEDE! Nos últimos 30 anos o Estado do Rio apresentou vários casos que envolveram seus governantes. Moreira Franco (1987/1991) foi preso suspeito de corrupção, mas foi solto; Antony Garotinho acabou preso, a exemplo de Rosinha Garotinha por atos de corrupção; Sergio Cabral foi alvo de 184 acusações, condenado a 430 anos de prisão, está solto e virou colunista; Luiz F. Pezão foi preso ainda no cargo por corrupção e hoje é prefeito de Piraí; Wilson Witzel (ex-magistrado) também foi preso por envolvimento de corrupção. Para finalizar temos Claudio Castro, declarado inelegível pelo TSE. Enfim, visto de cima o Rio continua lindo. Visto de baixo, fede.
PILULAS DIGITAIS:
“Não ficamos adultos, só ficamos bobos maiores. ” (Luiz F. Veríssimo)
A pergunta: quais ‘forças ocultas’ levaram Ratinho Jr. a desistir?
“Vamos lutar para que o caso Master chegue onde a Lava Jato foi impedida de chegar”. (Deltan Dallagnol – candidato ao Senado no Paraná)
“Na política, ninguém muda de rota sem motivo”. (na internet)
“O ódio e o fanatismo são duas doenças mentais que vêm da antiguidade e ainda nos atormentam”. (Amós Óz)
“Os socialistas são contra o lucro. Os capitalistas são apenas contra o prejuízo.” (Millôr)
“O homem é a soma de suas obsessões”. (Nelson Rodrigues)
“60% dos brasileiros não confiam no STF e nos ministros. 40% não sabem o que é o STF”.
“Tenho que preservar minha imagem” – como diz o velho palhaço traçando uma linha sobre a boca sem dentes. (Millôr)

